Como os biocombustíveis ajudam a diminuir a poluição
1 Automóveis a combustão e suas consequências
Na sociedade moderna, a emissão de poluentes e derivados de combustíveis fósseis advinda de veículos a combustão é, sem dúvida, um dos desafios da modernidade. As consequências do uso em larga escala dessas fontes de energia causam impactos significativos e preocupantes na nossa sociedade, principalmente nos grandes centros urbanos. Os principais impactos são a poluição ambiental, as chuvas ácidas, a poluição do ar e a emissão de gases de efeito estufa (Sunne, 2024), além dos problemas causados por erros humanos, como o vazamento de óleo e petróleo em refinarias e navios de extração, que, como consequência, contaminam os mares e oceanos, tornando as áreas afetadas em lugares inóspitos à vida (Brasil 247, 2019). Essas consequências são bem evidenciados na segunda edição do relatório Do Berço ao Túmulo: o impacto dos combustíveis fósseis na saúde, produzido pela (Global Climate and Health Alliance, 2025, pp. 34, 38, 71, 74), uma coalizão internacional que busca combater as mudanças climáticas e atingir melhorias na área de saúde pública.
No Brasil, o Proconve, criado em 1986 com o objetivo de diminuir a poluição veicular, completou recentemente 40 anos (Ibama, 2022) , e seus impactos são extremamente positivos. O nível de emissão de monóxido de carbono por quilômetro rodado chegava a 54 g/km por veículo; considerando os 13 milhões de veículos da época, os números chegavam a aproximadamente 702 kg do poluente para um único veículo em um ano, e cerca de 9.126.000 milhões de toneladas para o total da frota anual. Atualmente, o nível de emissão está em cerca de 0,4 g/km por veículo, o que representa uma redução superior a 98% em relação ao início da implementação do programa para um único veículo. Considerando a frota atual de 129 milhões de veículos, um veículo polui cerca de 5,2 kg em um ano, e toda a frota cerca de 670.800,00 toneladas — uma redução de pelo menos 92% em comparação aos valores anteriores à implementação da lei, segundo dados do (Ibama, 2026).
O monóxido de carbono emitido pelos automóveis a combustão, é um gás tóxico, e o catalisador automotivo (TotalEnergies, 2023), imposto pelas regras do Proconve o converte em dióxido de carbono (CO2), um gás que, embora poluente, não é tóxico da mesma forma. Na prática, o catalisador apenas antecipa o que aconteceria inevitavelmente na atmosfera: a reação do CO com o oxigênio, que o transforma em CO2. Essa mudança, por si só, já trouxe melhorias para o ar respirado, especialmente nas grandes metrópoles. Outras soluções foram implementadas com o passar dos anos, como a melhoria da qualidade do combustível, a adição de etanol à gasolina e de biodiesel ao diesel (Ministério de Minas e Energia, 2025), e a popularização do Etanol (Raízen, 2022) devido ao Proálcool (Ministério de Minas e Energia, 2014). Essas mudanças representaram melhorias incomparáveis em relação ao que existia antes do Proconve.
1.1 A base de dados
Os dados utilizados são do PBEV 2026 - Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (INMETRO, 2026) , mantido pelo INMETRO em parceria com o Programa CONPET da Petrobras, Ministério de Minas e Energia, Ministério do Meio Ambiente e do Ibama. Os valores de consumo e emissão são obtidos a partir de ensaios laboratoriais padronizados. Uma explicação mais detalhada do que é o PBEV, pode ser encontrada no site do INEE - Instituto Nacional de Eficiência Energética (Rogério, 2025).
1.2 Objetivo
O foco desta análise exploratória, foi investigar como o uso do biocombustível etanol pode impactar na diminuição da poluição em comparação aos combustíveis fósseis (óleo diesel e gasolina), quantificar os impactos anuais da emissão de poluentes desses combustíveis por categoria de veículo e medir a quantidade de combustível por quilômetro rodado em cada categoria.
Na base analisada, as variáveis selecionadas para este estudo foram: Categoria, Emissão de CO2, Emissão de CO2 fóssil, Consumo combinado.
1.3 Resultados
1.3.1 Distribuição das emissões de CO2 por categoria
Os gráficos abaixo têm como objetivo estudar a frequência das emissões de CO2 por categoria, separadamente para etanol e para gasolina/diesel.
As distribuições mostram que, para a maioria das categorias, a emissão de CO2 por quilômetro da gasolina/diesel se concentra em patamares mais altos do que a emissão do etanol, indício de que o etanol tende a poluir menos por quilômetro rodado.
1.3.2 Consumo de combustível por categoria
Os gráficos a seguir têm como objetivo comparar o consumo (km/l) entre as categorias, separando etanol de gasolina/diesel. Foram consideradas apenas categorias com pelo menos 3 veículos e os valores ausentes (NA) foram removidos.
Observa-se que o rendimento do etanol (entre cerca de 5,7 e 11,9 km/l) é, de modo geral, inferior ao rendimento da gasolina/diesel (entre cerca de 4,7 e 17,2 km/l): com etanol, percorre-se menos quilômetros por litro.
Nesse cenário de necessidade de renovação energética limpa no Brasil, o etanol, um biocombustível de matéria-prima vegetal, produzido por meio da fermentação do amido ou de outros açúcares de origem vegetal, se destaca por ser renovável.
1.3.3 Emissão média anual de CO2 por categoria
A tabela abaixo tem como objetivo quantificar a emissão média anual de CO2 de cada categoria e o quanto, em média, seria evitado com o uso do etanol. Todos os valores são médias por categoria.
| Emissão média de CO2 por categoria veicular | |||||
| Médias estimadas em kg de CO2 por ano, considerando 13.000 km rodados | |||||
| Categoria |
Etanol
|
Gasolina/Diesel
|
CO2 médio evitado com etanol (kg/ano) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| Total (kg/ano) | Fóssil (kg/ano) | Total (kg/ano) | Fóssil (kg/ano) | ||
| Comercial | 1.633,7 | 0,0 | 2.404,0 | 1.410,5 | 770,3 |
| Compacto | 1.430,0 | 0,0 | 1.584,6 | 1.303,4 | 154,6 |
| Esportivo | - | - | 2.731,6 | 2.248,4 | - |
| Extra Grande | 1.751,8 | 0,0 | 1.939,1 | 1.597,1 | 187,4 |
| Fora de Estrada Compacto | 2.106,0 | 0,0 | 2.236,0 | 1.846,0 | 130,0 |
| Fora de Estrada Grande | 2.128,3 | 0,0 | 2.657,3 | 2.217,3 | 529,0 |
| Grande | 1.465,3 | 0,0 | 1.668,1 | 1.372,6 | 202,8 |
| Médio | 1.473,3 | 0,0 | 1.540,5 | 1.267,7 | 67,2 |
| Minivan | 1.781,0 | 0,0 | 1.892,8 | 1.554,8 | 111,8 |
| Picape | 2.011,8 | 0,0 | 2.528,9 | 1.887,0 | 517,2 |
| Picape Compacta | 1.626,4 | 0,0 | 1.695,1 | 1.392,4 | 68,6 |
| Sub Compacto | 1.326,0 | 0,0 | 1.404,0 | 1.157,0 | 78,0 |
| Utilitário Esportivo Compacto | 1.556,9 | 0,0 | 1.640,4 | 1.349,7 | 83,5 |
| Utilitário Esportivo Grande | 1.788,5 | 0,0 | 1.832,5 | 1.507,8 | 44,0 |
| Utilitário Esportivo Grande 4x4 | - | - | 1.281,5 | 1.024,6 | - |
| Os valores são MÉDIAS por categoria: a emissão média de CO2 (g/km) de cada combustível foi multiplicada por 13.000 km e dividida por 1.000, resultando na média de kg de CO2 por ano. | |||||
| CO2 total = emissão total, CO2 fóssil = apenas a parcela de origem fóssil. A gasolina brasileira (E30) já desconta os ~30% de etanol na coluna fóssil. Médias calculadas com os dados disponíveis. | |||||
| "-" = não há dados de etanol para a categoria (sem veículos flex/etanol). | |||||
A tabela confirma a leitura dos gráficos: em todas as categorias com dados de etanol, a emissão média do etanol é menor que a da gasolina/diesel, ou seja, o CO2 médio evitado é positivo. As maiores reduções aparecem nas categorias Comercial (cerca de 770 kg de CO2/ano), Fora de Estrada Grande (≈ 529) e Picape (≈ 517), enquanto as menores ocorrem em Utilitário Esportivo Grande (≈ 44) e Médio (≈ 67). E se consideramos, as emissões fósseis, que seriam um novo carbono que será introduzido na atmosfera, as diferenças são enormes.
A animação acima ilustra a entrada e saída de carbono na atmosfera.
O ciclo do carbono: a queima de combustíveis fósseis devolve à atmosfera o carbono que estava “preso” no subsolo (carbono “novo”), enquanto o carbono do etanol circula no ciclo natural (fotossíntese <-> respiração).
Uma melhor visualização de como a problemática da emissao do co2 fóssil impacta o planenta, pode ser observada nos dados de monitoramento atmosférico da NASA, que registram o aumento contínuo das concentrações de CO2 e metano e da temperatura global ao longo das décadas (NASA Science Earth Indicators, 2026).
1.4 Conclusão
A análise exploratória do PBEV 2026 sugere que o etanol emite, em média, menos CO2 por quilômetro do que a gasolina e o diesel em todas as categorias analisadas, e por ser um combustível renovável, também não emite nenhum CO2 “novo” na atmosfera. Os ganhos ambientais são maiores nas categorias mais pesadas (comerciais e picapes). Por outro lado, o rendimento (km/l) do etanol é menor, o que mostra que a vantagem ambiental por quilômetro precisa ser avaliada junto ao maior volume de combustível consumido.
Entre os desafios encontrados, destacam-se a grande quantidade de valores ausentes na emissão do etanol diversas versões não possuem esse dado, por não serem flex/etanol) e a presença de categorias com poucos veículos, o que limita comparações estatísticas mais robustas.
Para futuras análises, podem ser consideradas os valores dos combustíveis, permitindo avaliar o custo por quilômetro de cada categoria. E também, a comparação Ano a Ano das categorias.
1.5 Uso de inteligência artificial
Para a elaboração deste relatório, foi utilizada a ferramenta de IA Claude (Opus 4.8), empregada na revisao da sintaxe. Na disposição lado a lado do geom_density_ridges e do geom_boxplot com o ggiraph e na animação sobre o ciclo do carbono.